INFLAMAÇÃO MÍNIMA PERSISTENTE

CONCEITO DE INFLAMAÇÃO MÍNIMA PERSISTENTE.
Na rinite alérgica, a crise não começa “do nada”. Mesmo quando o paciente está aparentemente bem, a mucosa nasal pode continuar em um estado de inflamação mínima persistente, conceito importante em alergologia que explica por que muitos pacientes continuam sensíveis mesmo sem sintomas aparentes. Nesse período silencioso, as células da mucosa mantêm aumentada a expressão do ICAM-1, uma molécula de adesão que funciona como um sinal de convite para células inflamatórias circulantes. Entre elas, destacam-se os eosinófilos, típicos da resposta alérgica, que migram para o tecido nasal e liberam mediadores inflamatórios em baixa intensidade.

Esse processo não causa necessariamente sintomas evidentes, mas mantém a mucosa sensível e hiper-reativa. Assim, estímulos pequenos, poeira, mudança de temperatura, perfume ou uma infecção viral, podem desencadear uma nova crise com facilidade. É como se a mucosa nunca voltasse totalmente ao estado normal, permanecendo “em alerta”.

Por isso, o tratamento clínico prolongado é importante, pois é capaz de reduzir a expressão do ICAM-1 e a presença de eosinófilos na mucosa. Para isso, medicamentos como os corticoides nasais e outras terapias indicadas, tem papel fundamental pois diminuem essa inflamação de base. Com o tempo, a mucosa fica mais estável, menos reativa e precisa de um estímulo maior para entrar em crise. Em outras palavras, o tratamento não serve apenas para aliviar sintomas no momento da alergia, mas deve ser prolongado para proteger a mucosa nasal a longo prazo, aumentando os períodos sem sintomas e melhorando a qualidade de vida do paciente.

Resumindo: não basta apenas tratar a crise da alergia respiratória. É importante utilizar medicamentos com bom perfil de segurança por um período mais prolongado, com o objetivo de “domesticar” a mucosa respiratória, reduzindo sua hiper-reatividade e tornando-a menos suscetível a novos estímulos desencadeantes.
Autor: Dr Marcos Borges de Carvalho

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